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domingo, 23 de outubro de 2011

Vulnerável proteção


É normal temer uma dádiva dos céus? Temer somente em ouvir tal palavra pelo simples fato de não ter motivos para confiar nas pessoas?
A entrega é retardada enquanto puder, quem sabe assim também retardo meu sofrimento. Porque certeza da felicidade não temos, mas a dor está sempre garantida no final.
A descrença é que me move. no caráter dúbio das pessoas, em seu modo usurpador de sugar tudo o que há de bom em você, dar-te memórias divertidas para chorá-las depois, em um lapso esquecer-se de você, como se sua passagem na vida dela tivesse sido irrelevante. Porque qualquer pessoa é substituível e nos enganamos muito pensando que somos únicos. Existem muitos "únicos" em nossas vidas e machucar os outros tornou-se tão banal que fazê-lo virou rotina.
Mas esse nosso coração tão malditamente humano adora fazer brincadeiras para assim, errarmos e consequentemente – é o esperado – não soframos novamente, aquela coisa chamada esperança que nos faz acreditar que o "para sempre" existe e nos doamos aos sentimentos mais contraditórios e seguindo o ciclo, chega uma hora que ser posto de lado quando mais se espera daquele relacionamento cansa seu coração e mente e como proteção, fechar-se para esse mundo que só muda para pior é a única saída, o único modo que se vê para tentar apaziguar a dor latente que nos consome.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Distorções

As pessoas não tentariam dar beijos nela nem abraçá-la. Nem era para ela estar ali, no meio daquela família que agora sofria com uma perda irreparável.

Sentiu olhares sobre si e voltou a encolher-se no casaco escuro. Não sabia se era o vento frio do cemitério arborizado ou se era seu coração petrificando em arrependimento e dúvidas sobre o passado.

Olhou ternamente a cova aberta revelado o caixão coberto de flores e algumas fotos. Lá jazia dormente e frio o corpo de Eric, o homem que um dia acreditou que passaria o resto da vida.

Um breve arrepio tomou seu corpo ao sentir o aperto quente em sua mão.

"Ele não vai voltar?"

"Não meu filho" respondeu a Eliot de 4 anos. Considerava-o a única coisa boa daquele relacionamento doentio que somente ela conhecia. Por isso aquela rejeição da família de Eric. Eles não entendiam que quem amam procura proteger, e se era aqui que sentia por ela, era a forma mais distorcida de amar.

domingo, 5 de setembro de 2010

Clap

"Todos os dias pessoas melhores nascem, e tantas outras serão reconhecidas. Consequentemente, posso ser facilmente substituída". Clap, o barulho do dedo ao apertar o botão findando a gravação. Era sempre assim, quando queria desabafar: ligava o gravador e falava abertamente; fora que sua letra era horrível. Era mais fácil e menos caro para si, que trabalhava mais que uma formiga próxima ao inverno de uns tempos pra cá.

O seu maior medo a apunhalou, tirando completamente seu chão. Devotar-se em plena paixão e reciprocidade era o estado perfeito em que queria congelar sua vida.

Numa hora viu-se apaixonada e lutou contra toda a rejeição e preconceito da família, assumindo-se; noutra vira sua base ser friamente esfacelada.

Olhou novamente para o visor do celular apenas indicando às horas. Pegou0o e apreciou as velhas fotos do ano passado, em que ela e sua namorada comemoravam sozinhas, 1 ano de namoro em um restaurante. Lembrou-se dos detalhes, dos olhares hostis já tão costumeiros, da noite carinhosa que tiveram e logo a briga, a discussão até então infundada e o acidente naquela tardezinha quente que estressava a todos no trânsito.

Descobriu depois o motivo da briga: a família dela, mais uma vez contra o relacionamento e finalmente entendeu que a amnésia permanente e acidental a libertou do fardo que era aquele romance proibido, que as afastaram de todas que amavam.

Da janela do prédio simples e agora mais solitário fitou seu amor passar de mãos dadas com um jovem bonito, que a tratava bem, que casaria com ela e que a daria uma família. Ninguém sabia, mas acompanhava seus passos, afinal, era a única forma que viu de se aproximar, pois sabia que Luana estava feliz e como ainda a ama, Brenda abriu mão para não fazê-la sofrer.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Remmington Street

Entregar-se àqueles desconhecidos braços era uma forma infantil de esquecer-se daqueles característicos que um dia o envolveu, mas que levianamente se viu sem.

Todo aquele doloroso esforço era ridiculamente esquecido ao passar por aquela rua tão aconchegante e familiar, cheia de árvores a dor sombras e enfeitar a calçada neste outono tão mais frio que todos vividos até ali, e tão solitário, por onde passa com um olhar desolado fitando a grande casa verde com mosaicos adornando suas grandes janelas tão características dele.

O vento gelado beijou-lhe a face acordando do transe instantâneo que as recordações lhe punham. Olhou para o lado e sorriu reconhecendo a figura alta e morena de seu amigo corretor que se aproximava com um embrulho em mãos.

"Não quer voltar para cá?", perguntou o amigo.

"Não, essa rua me traz muitas lembranças" respondeu Valentin deixando o silêncio tomar conta. Apontou como os dedos trêmulos para o canteiro florido que ele cultivava, velando a mãos aos lábios igualmente trêmulos sendo molhada pelas lágrimas silenciosas que desciam enquanto via o amigo pregar a placa de 'vende-se' na casa que um dia foi sua, em que viveu intensamente seu amor.

Deixou o local e junto tudo o que viveu na Rua Remmington.

sábado, 17 de julho de 2010

Círculo vicioso

A segunda-feira de madrugada foi caótica. Mas logo de manhã cedi ao desejo do remédio em que estou praticamente viciada graças ao meu psiquiatra. E toda dor dissolveu-se calma, quase doce de mim.

Isso se chama abstinência. Já é a segunda vez que isso acontece. Da primeira foi a tontura e a dor que se apossou de mim; mas era mais leve. Tenho medo é de quando eu parar definitivamente, se essas dores irão persistir até todos os compostos da droga saírem de meu organismo.

Mas com a vinda e ida da dor, estou mais inspirada e escrever já não está sendo uma árdua tarefa digna de lamentações e afins. A dor me inspira, abre uma porta até então fechada me meu cérebro. Com a dor posso até sofrer, mas realmente há males que bem para o bem.

Quando eu escrevia arduamente, não tomava remédio logo que a dor aparecia, pois tudo rende, desdobra-se em detalhes e sensações, antes imperceptíveis.

Meu amor e ódio se direcionam a dor, que me acompanha e me entende.

13-jul-10 às 23 h e 06 min.

Torrencial

Nem vi as horas passar, agora nem vi. Mas quando não aguento mais, presa àquela sala cheia de corpos em movimentos frenéticos e suas gargantas a me irritar e provocar-me a tão conhecida dor de cabeça, as horas não passam, traiçoeiras.

Quero que segunda-feira chegue e não quero que segunda-feira chegue; mas já chegou, e agora vejo-me presa em um beco sem saída. Ou melhor, há saída, só que não quero enfrentá-la. A tal prova é no último período então nem que uma enxaqueca caia sobre mim poderei arrastar os pés até uma cama de um quarto frio e escuro. Mas isso já aconteceu tantas vezes, que nem me assusto tanto. Só rio do pavor alheio que toma os corpos nesta hora calmas e trêmulos a minha volta.

Deitar-me-ei a esperar que a dor passe e a chuva torrencial continue a avançar sobre o céu da cidade, e desabe alagando as ruas. Na melhor das hipóteses, só adiarei mais um dia.

Já li muitas coisas que não dizem respeito ao que preciso.

12-jul-10 às 04 h 13 min.

sábado, 12 de junho de 2010

Amor Eterno?




"Eu te amo agora
E te amarei amanhã
Não se se o amor durará
Pois o eterno não existe"

Amor eterno não existe. Não, não estou querendo melar o amor dos outros. Só não podemos nos comprometer com esta palavra tão siginificativa e importante: 'eterno'. E ainda mais com as declarações de 'amor eterno' e 'para sempre'. Construímos esse amor a cada dia, e quando nos damos conta a eternidade nos cercou. É tão espontâneo quando amar ou se apaixonar. É pura pretensão humana achar que pussuirá a eternidade em qualquer amor. Quanto mais prometer isso, se não temos certeza do amanhã.


Notaram a enrolação?
Quero mesmo dizer que é melhor que a eternidade de um relacionamento surja naturalmente e que não a soltemos aos quatro ventos. Palavras são fortes.