sexta-feira, 2 de março de 2012
Micantia
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Barco das tentativas
A esperança é muito perigosa e sibila entre a comédia e a tragédia em vidas alheias. Ela dá alento nos momentos mais difíceis e logo tira o chão como que por brincadeira de pois de ter-nos agarrado a ela com tanto afinco.
Uma esquação simples retratando a vida como ela tem que ser. Não há outro modo de vivê-la, sem os trancos e barrancos, ou as pedras no caminho, não teria a mesma graça . Ultrapassar os desafios com vitória ou derrota até nos deixa mais fortes, mas quando a esperança nos é tirada, por qualquer coisa, de qualquer modo é deveras desolador.
É um dos subatantivos mais abstratos de qualquer língua e mais forte também. É como um suplemento tão revigorante para o espírito e creio que só os mais fortes tendem a não deixar esse sentimento tão revigorante e firme e também não esmorecer junto.
Posto isso, nós como reles seres humanos, tendo descontrole total dos sentimentos, embarcamos na velha música Tente outra vez.
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Andji Romact
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
DOG DAYS AREN'T OVER
Em um mundo onde o que se sente no interior de si não é importante, resta apenas, às vezes uma forma de se gritar, de pedir por ajuda. E em um lugar que apenas números importam, como encontrar compreensão em olhos vazios e mesquinhos? Em conversas e abraços efusivos onde apenas sua vida superficial e tola é que está em jogo. Estamos em um mundo cão, muito mais do que antes, todos se tornam cachorros a espera que um caia e que então a carniça seja finalmente aproveitada.
Apenas mascaram-se em simpatia, mas porque importar-se? É muito fácil julgar apenas o que é visto na frente, quando os fatos são mastigados e distorcidos são expostos; é muito mais fácil apontar o dedo no erro e sofrimento alheio, do que simplismente olhar-se no espelho e ver o quão feio interiormente se é.
Sim, você é feio. Quando você for velho, essa sua cútis tez será apenas um amontoado de rugas, então você será mais que nada, será merda pura. Isso na sua concepção superficial da vida, ou na concepção estúpida de adolescentes e adultos vazios e podres por dentro.
Pois é, é uma prisão invisível, mas o que fazer se é a única opção para algo dar certo? Aguentar, ou tentar já que as tentativas são falhas e trôpegas e desistir é visto como um ato covarde. É só uma forma de sair de fininho do palco, e ganhar os bastridores.
Bem-vindo aos dias de cão, se você estava achando que tudo era um conto de fadas. Finais felizes não existem, ou estão sacaneando o eu-lírico e adiando o quanto podem para tornar-se um triste final.
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Andji Romact
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domingo, 23 de outubro de 2011
Vulnerável proteção
É normal temer uma dádiva dos céus? Temer somente em ouvir tal palavra pelo simples fato de não ter motivos para confiar nas pessoas?
A entrega é retardada enquanto puder, quem sabe assim também retardo meu sofrimento. Porque certeza da felicidade não temos, mas a dor está sempre garantida no final.
A descrença é que me move. no caráter dúbio das pessoas, em seu modo usurpador de sugar tudo o que há de bom em você, dar-te memórias divertidas para chorá-las depois, em um lapso esquecer-se de você, como se sua passagem na vida dela tivesse sido irrelevante. Porque qualquer pessoa é substituível e nos enganamos muito pensando que somos únicos. Existem muitos "únicos" em nossas vidas e machucar os outros tornou-se tão banal que fazê-lo virou rotina.
Mas esse nosso coração tão malditamente humano adora fazer brincadeiras para assim, errarmos e consequentemente – é o esperado – não soframos novamente, aquela coisa chamada esperança que nos faz acreditar que o "para sempre" existe e nos doamos aos sentimentos mais contraditórios e seguindo o ciclo, chega uma hora que ser posto de lado quando mais se espera daquele relacionamento cansa seu coração e mente e como proteção, fechar-se para esse mundo que só muda para pior é a única saída, o único modo que se vê para tentar apaziguar a dor latente que nos consome.
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Andji Romact
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Próprios passos
Desde o início dos tempos as regras seguem-se assim: vários humanos ordenam e apontam o que é certo, que caminho seguir, sem considerar o que mais importa; sua opinião. E quando tal ordem soava-lhe nos ouvidos rebeldes dava 'stacatto' no meio do caminho e segui para a direção oposta, ironizando ordens alheias como que por cansaço de argumentar. Eddra seguia seus próprios passos e questionava quando decidiam por si, pois preferia a desordem e a eloquência de seus próprios atos tortos e trépidos, seu amor contemplativo ao que era realmente belo do que imposições que só mascaravam agonizantes vontades. Era a melhor naquilo, desconcertar e tirar de ordem as coisas mais simples apenas para deixar sua própria assinatura. Naquela terra inóspita tornou-se amante de desafios, recusando a queda de obstáculos e tantas outras mesquinharias que todos que estavam à sua volta ofereciam. Não precisava de livros e governos a ditar mentiras nem de meios para trazer a artificialidade que contaminava a todos, aquela conduta quixotesca bastava para alumiar seu caminho desconhecido e eterno guiado por tudo aquilo que era desprezado. Descartar conceitos e tornar-se algo não identificado, suscetível à metamorfose que era-lhe a vida, foi o caminho mais fácil para não seguir ninguém. Crônica inspirada na poesia Cântico Negro de José Régio.
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Andji Romact
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Marcadores: colégio, cronicles, expressão, inspiração, redação
quinta-feira, 15 de julho de 2010
The invisible wall
Neste momento a dor me domina e o sono me atinge. Não sei a qual ceder, mas sei que da dor não me livrarei. Durante essa semana ela esteve presente, e agora que caio em alucinações e vidas alheias, meu cérebro dói ainda mais, não querendo ou querendo – não sei – aceitar este conteúdo incompreensível que fabrico há tantos anos. É esse mundo paralelo em que vivo que me irrita – há tanto tempo. Não consigo viver toda a realidade do momento sem criar uma nova hipótese ou visão de cada situação. E então, quando me deparo com a realidade me assusto e dou-me ao desespero, onde prevalece a dor, que vem me acompanhando constantemente: no meio ou fim da aula, antes e depois do almoço, a tarde, a noite, quando acordo... ela sempre aparece no final das contas. Quanto mais eu penso, ou imagino vivendo outras realidades, a dor me lembra dessa realidade cretina que me cerca. Romance. Isso define onde vivo. O universo paralelo e estritamente contrastante que me domina. Não adianta falar com aqueles médicos que nunca me escutam e querem sempre analisar meu exterior, me enchendo de remédios e reflexões baratas, não adianta! Eles me dizem que isso é normal... mas é tão normal a ponto de me fazer excluir da droga de sociedade que me exige desenvoltura e extrovertida? Ah meu Deus, como é dificil, ainda mais saber que toda essa torrente não tem controle e que eu sei que não posso fazer sozinha e que, se eu contar – como já fiz – acham que de vez em quando é bom extrapolar a realidade, mas viver assim sem tréguas me enoja, por saber que isso é a qualquer hora, em qualquer lugar. Ouvir vozes, conversar, vestir, caminhar, morar em diversos lugares quando se está até conversando com as pessoas. Sinto-me traída por mim mesma. Como posso ser tão obtusa? Minhas hipóteses já se esgotam, então penso em esquizofrenia e doenças do tipo. E tudo isso porque quero que essa dor pare – 5 horas nesta batalha.. Não há remédios que me salvem ou me tirem essa dor. Há 30 minutos tomei o segundo remédio e nada de alivio, pelo menos isso...! Há vezes também que para aliviar a dor de cabeça, ou a que me aperta o coração sempre que me sinto só, abrir outro corte aqui ou ali é tão válido quanto expressar. Ver o sangue me leva a crer que pelo menos, naquele momento a dor também está se esvaindo de mim. Pena que agora, não há nada aqui que possa realmente me aliviar. Sinto meus olhos pesarem, então deixo o sono me atingir, mesmo que a dor continue e me faça cair em cinzas profundas. 12-jul-2010 às 23 h 53 min. 15-jul-2010 às 11 h 20 min.
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Andji Romact
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Marcadores: comportamento, cotidiano, cronicles, desabafo, dor, expressão, humor
sábado, 29 de maio de 2010
Depois da chuva
Seus ossos deixaram para trás uma sinfonia de porcelanas estilhaçadas no chão. Formou-se em volta de sua cabeça uma aureola escarlate, molhando seus cabelos revoltos e negros. Os olhos agora sem vida, mantinham-se fixos no céu calmo que naquela hora espalhavam-se nuvens pesadas de chuva, dando lugar ao sol afoito por brilhar.
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Andji Romact
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Espaço x Respeito
Em uma manhã cinza e chuvosa de domingo, todos em casa. Meu pai mexendo no computador liga em uma rádio muito animada, com blues, jazz e soul, arrepiando a manhã pacata de minha mçae que, em protesto, resolveu ligar o aparelho de rádio em um bom pop dos anos '80. E eu, já atordoada com aquela guerra de sons particular soltei a meu pai: - Tem que saber respeitar o espaço do outro, já que só tu gostas dessa música, conecte os fones!
Alguém acha que ele me ouviu? Ao contrário, desligou as caixas de son e ficou emburrado. Afinal, é ele ou que que tem 16 anos? Como estava a fazer um trabalho de escola, liguei meu netbook, conectei os fones e segui meus afazeres. Foi difícil? Doeu? Nem um pouco. Por isso, acho que toda essa má educação e "espaçosidade" que toma conta da sociedade é pura preguiça de reseitar e ser repeitado (note-se que eles não conhecem o benefício que traz). Pois quando vejo que estão respeitando meu espaço, acabo contagiada e respeito o dos outros.
Ao meu ver, essa é uma boa doença para ser espalhada... Pode até virar uma epidemia, que eu nem reclamaria.
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Andji Romact
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