Naqueles intervalos entre as cansativas aulas e as pessoas ainda menos suportáveis com quem era obrigada a passar a maior parte do tempo, era-lhe solitário e silencioso, uma extensão de sua casa, suponho.
Naqueles intervalos entre as cansativas aulas e as pessoas ainda menos suportáveis com quem era obrigada a passar a maior parte do tempo, era-lhe solitário e silencioso, uma extensão de sua casa, suponho.
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Andji Romact
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17:03
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Marcadores: colégio, comportamento, desabafo, dor, medo, morte, planos
"Todos os dias pessoas melhores nascem, e tantas outras serão reconhecidas. Consequentemente, posso ser facilmente substituída". Clap, o barulho do dedo ao apertar o botão findando a gravação. Era sempre assim, quando queria desabafar: ligava o gravador e falava abertamente; fora que sua letra era horrível. Era mais fácil e menos caro para si, que trabalhava mais que uma formiga próxima ao inverno de uns tempos pra cá. O seu maior medo a apunhalou, tirando completamente seu chão. Devotar-se em plena paixão e reciprocidade era o estado perfeito em que queria congelar sua vida. Numa hora viu-se apaixonada e lutou contra toda a rejeição e preconceito da família, assumindo-se; noutra vira sua base ser friamente esfacelada. Olhou novamente para o visor do celular apenas indicando às horas. Pegou0o e apreciou as velhas fotos do ano passado, em que ela e sua namorada comemoravam sozinhas, 1 ano de namoro em um restaurante. Lembrou-se dos detalhes, dos olhares hostis já tão costumeiros, da noite carinhosa que tiveram e logo a briga, a discussão até então infundada e o acidente naquela tardezinha quente que estressava a todos no trânsito. Descobriu depois o motivo da briga: a família dela, mais uma vez contra o relacionamento e finalmente entendeu que a amnésia permanente e acidental a libertou do fardo que era aquele romance proibido, que as afastaram de todas que amavam. Da janela do prédio simples e agora mais solitário fitou seu amor passar de mãos dadas com um jovem bonito, que a tratava bem, que casaria com ela e que a daria uma família. Ninguém sabia, mas acompanhava seus passos, afinal, era a única forma que viu de se aproximar, pois sabia que Luana estava feliz e como ainda a ama, Brenda abriu mão para não fazê-la sofrer.
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Andji Romact
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22:52
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Marcadores: amor, morte, preconceito, relacionamentos
Entregar-se àqueles desconhecidos braços era uma forma infantil de esquecer-se daqueles característicos que um dia o envolveu, mas que levianamente se viu sem. Todo aquele doloroso esforço era ridiculamente esquecido ao passar por aquela rua tão aconchegante e familiar, cheia de árvores a dor sombras e enfeitar a calçada neste outono tão mais frio que todos vividos até ali, e tão solitário, por onde passa com um olhar desolado fitando a grande casa verde com mosaicos adornando suas grandes janelas tão características dele. O vento gelado beijou-lhe a face acordando do transe instantâneo que as recordações lhe punham. Olhou para o lado e sorriu reconhecendo a figura alta e morena de seu amigo corretor que se aproximava com um embrulho em mãos. "Não quer voltar para cá?", perguntou o amigo. "Não, essa rua me traz muitas lembranças" respondeu Valentin deixando o silêncio tomar conta. Apontou como os dedos trêmulos para o canteiro florido que ele cultivava, velando a mãos aos lábios igualmente trêmulos sendo molhada pelas lágrimas silenciosas que desciam enquanto via o amigo pregar a placa de 'vende-se' na casa que um dia foi sua, em que viveu intensamente seu amor. Deixou o local e junto tudo o que viveu na Rua Remmington.
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Andji Romact
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14:44
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Marcadores: amor, morte, relacionamentos