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domingo, 5 de janeiro de 2014

Anseio

Mergulhado na noite escura, difícil era ver além das trevas e da escuridão. E então a lua era o sol para mim...
E então as nuvens eram o que mais colorido havia para minha visão.
Mas então veio você com seu brilho espetacular... Tão único que me fazia prender a respiração e serrar as pálpebras, tão desacostumado estava com essa luz.
Seus olhos pareciam mais intensas e lindas estrelas, maiores e melhores do que aquelas que eu costumava contemplar.
De onde vieste que não iluminaste meu caminho desde que nasci? Mas por que tua voz me fere como um punhal violento?
Por que tuas palavras parecem me tirar da ilusão que tão docemente criei para mim mesmo?
No silêncio da minha noite eterna eu era intocável... Mas nos murmúrios da tua manhã cálida me sinto vulnerável.
Pode o dia e a noite se encontrar para além dos segundos de sua vida e morte?
Podemos nós nos misturar e assim criarmos uma nova tela de cores, nem dia nem noite, apenas eu e você presos um ao outro como as trevas dependem da luz para existir?
Como posso me aproximar sem te ferir? Como posso te tocar se por tanto tempo afiei minhas garras para que causassem dor e não carinho...
Mas aí está você.
Sempre presente em meus sonhos, atento a minha dor, colocando-a acima da sua.
E então seus olhos passam a brilhar mais que tudo para mim e eu senti vontade, de mais uma vez... Voltar a ver o sol.

1/JAN/2010


Revirando algumas coisas antigas encontro isso. 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Próprios passos

Desde o início dos tempos as regras seguem-se assim: vários humanos ordenam e apontam o que é certo, que caminho seguir, sem considerar o que mais importa; sua opinião.

E quando tal ordem soava-lhe nos ouvidos rebeldes dava 'stacatto' no meio do caminho e segui para a direção oposta, ironizando ordens alheias como que por cansaço de argumentar.

Eddra seguia seus próprios passos e questionava quando decidiam por si, pois preferia a desordem e a eloquência de seus próprios atos tortos e trépidos, seu amor contemplativo ao que era realmente belo do que imposições que só mascaravam agonizantes vontades. Era a melhor naquilo, desconcertar e tirar de ordem as coisas mais simples apenas para deixar sua própria assinatura.

Naquela terra inóspita tornou-se amante de desafios, recusando a queda de obstáculos e tantas outras mesquinharias que todos que estavam à sua volta ofereciam. Não precisava de livros e governos a ditar mentiras nem de meios para trazer a artificialidade que contaminava a todos, aquela conduta quixotesca bastava para alumiar seu caminho desconhecido e eterno guiado por tudo aquilo que era desprezado.

Descartar conceitos e tornar-se algo não identificado, suscetível à metamorfose que era-lhe a vida, foi o caminho mais fácil para não seguir ninguém.



Crônica inspirada na poesia Cântico Negro de José Régio.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Frenesi

"Minha raiva enaltece eletricamente minhas mãos exendo-me de vontade já bastante conhecida de destruir qualquer coisa que intrometece a um palma de meu caminho, fazendo com que meu coração rugisse entre a carne retumbando forte de pavor. Tornando meu corpo rijo, e malditamente extremecer a cada inflar de meus pulmões".

Trecho de Num Piscar de Olhos, Cap IV.

Mostro-lhes aqui, o trecho do meu pseudo livro (que infantilidade da minha parte), no trecho de Pumpkin ou Constance - que não consigo decidir por qual dos dois -, na adolescência, quando começa a infrentar seus dilemas.
Aliás, ontem de madrugada lendo meus cadernos de rascunhos encontrei o passado da personagem que estava 'alinhavado' e então eu finalmente o costurei! Era só o passado dela que estava me proibindo de dar continuidade a todas as outras mudanças que farei daí em diante na estória.
Bom, boa segunda-feira e provavelmente voltarei com mais trechos, au revoir!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Num piscar de olhos

Boa tarde, para... você parede que me ouve, ou me lê! (Minha revolta de não reciprocidade continua).
Depois de mais uma reviravolta em Contraponto, venho com uma nova estória: Num piscar de olhos - valeu Juan de Valdés - se alguém que está aqui me acompanhava na outro blog, comentei que tive uma ideia de escrever sobre 8 pessoas. Então, a inspiração completa chegou, então vou apresentar os 6 personagens construídos:

1 - Benício Gomez, 20 anos - Uruguaio intercambista de Marketing na Universidade de Madrid - Madrid, Espanha
2 - Samantha Davis, 16 anos - Estudante tímida em plena confusão adolescente (adoro ela!) - New Jersey, EUA
3 - Ícaro Alencar, 20 anos - Caixa de supermercado, acordando do luto - Lisboa, Portugal
4 - Rita Vasconcelos, 18 anos -Autista em grau quase crítico, conflitos familiares -Gerês, Portugal
5 - Dimitri Godowsky 19 anos -Calmo, não confia nas pessoas, morava na Rússia, estudante de gastronomia na Universidade de Madrid
- Madrid, Espanha
7 - Sebastian Northman, 24 anos - Jovem empresário, ambicioso e solitário - Louisiana, EUA

Estranho não? Faltam dois personagens, e não faço a mínima ideia de com
o serão - minto - mas não construí eles. O que eu mais gostei nessa estória é que faço um tour pela Europa. A número 2 Samantha já existia em uma outra estória, e como meus colegas adoram ela, decidi trazer para essa.

Mudanças simultâneas unem pessoas. E é isso que acontece. A mudança na
vida dos 8, e eu discrevo isso, somente as mudanças. Não sei se terá final feliz, só sei que sinto minhas mãos formigarem ao imaginar a estória toda. Num piscar de olhos vêm da pintura de Juan de Valdés Leal - In ictu oculi 1672. Que vi na melhor aula de literatura que tive unida à prosa de Pe. Antônio Vieira, A morte. Que reflete a morte em paz desapegando quando vivos da vida material, que nos prende aqui.
Com essa vou-me tomar um café com bolo de chocolate digno da vovó!